O
Natal, representativo momento do nascimento do menino Jesus, o Cristo, pode ser
interpretado como sendo o marco zero das boas-vindas de amor e esperança para a
humanidade: "É chegado o Messias!"
Ou seja, a passagem
evolutiva de tornar uma humanidade antes semisselvagem (regida basicamente pelo
ódio vingativo e cruel na ‘Lei de Sião’) para uma esclarecida e amável regida
pelos ensinamentos do Evangelho que tão-logo estaria por se firmar.
Porém,
como não se sabia ao certo a data do Seu nascimento, o imperador romano
Constantino, na época de seu reinado, acabou por legitimar essa data (25 de
dezembro) como comemoração ao nascimento de Jesus Cristo (nascido em Belém, província romana
da Judeia). Onde até 325 dC, 25 de dezembro era data da festa pagã para celebração de seus deuses.
Por
Constantino, essa ação partiu da necessidade de acabar com as perseguições dos
pagãos aos cristãos-novos, unificando a prática do Cristianismo ao Império
Romano, uma vez que com o incessante crescimento do número de adeptos ao
Evangelho Cristão, o império sentiu-se ameaçado, tendo como alternativa aceitar
e unificar-se ao novo credo. Porém, até esse apaziguamento, os cristãos-novos
sofreram as mais terríveis perseguições.
Na
oportunidade, como forma de reconhecimento aos cristãos-novos por terem sido os
primeiros praticantes do cristianismo-primitivo em difundirem os ensinamentos
de amor e justiça deixados pelo Mestre Jesus, onde estes foram mortos cruel e
resignadamente pelo "crime" de acreditar no poder da benevolência que
o Cristianismo contribuiria a humanidade, segue algumas passagens a título de
conhecimento e reflexão, onde tais passagens do tratamento do império romano à
época aos cristãos podem ser encontradas em leituras documentais (de Nero a
Constantino), como em “Martírios dos cristãos-novos”, “Tácito, Annales,
XV”, "Eusébio de Cesareia, História Eclesiástica",
"Gregório de Tours, Historia Francorum, I".
Esses
cristãos, por idolatrarem um Deus acima do ‘César’, ou seja, uma adoração
contrária aos interesses soberanos do Império Romano, foram submetidos as mais
terríveis torturas, onde segundo os historiadores algumas torturas mortais eram
até espetáculos da época, causando euforia e animação, mas que em alguns
momentos as cenas chegavam até a comover muitos da plateia de tão forte que era
a fé desses cristãos-novos por não esbanjarem reações quando eram devorados
vivos por leões nas Arenas, mantendo-se parados e ajoelhados de mãos dadas em
fortes orações, por exemplo. Ou seja, ainda que os plebeus e nobres pagãos já
estivessem acostumados com todo tipo tenebrosidade das Arenas, esses
comportamentos dos cristãos começaram a impressionar quem assim os vissem.
Segue:
(III
Perseguição, ano 108 d.C, sob o Império de Trajano).
1
- (...) Plínio, vendo a lamentável matança de cristãos, foi movido pela
compaixão e escreveu a Trajano, imperador de Roma, comunicando-lhe que milhares
de pessoas eram mortas diariamente sem que nada houvessem feito às leis
romanas; não mereciam, portanto, aquela perseguição, pois “Tudo o que eles
contam acerca de seu crime ou erro (ou como tenha que se chamar) somente
consiste nisto: que costumam reunir-se em determinados dias, antes do
amanhecer, e repetir juntos uma oração que honra a Cristo como Deus, além de se
comprometerem a não cometer maldade alguma, não furtar, roubar ou adulterar;
nunca mentir, e jamais defraudar alguém. Feito isto, costumam separar-se e
voltar a reunir-se depois para uma inocente refeição em comum”. 2 - (...) o
cristão Inácio quando lançado às feras, (...), cada vez que ouvia rugir os
leões, dizia: “Sou o trigo de Cristo; vou ser moído com os dentes de feras para
que possa ser achado pão puro”. (...)
(IV
Perseguição, ano 162 d.C, sob Império de Marco Aurélio).
3
- Alguns dos mártires eram obrigados a passar, com os pés já feridos, sobre
espinhos, cravos, conchas afiadas, etc. Outros eram açoitados até que seus
tendões e veias ficassem expostos, e, depois de haverem sofrido os mais atrozes
tormentos já inventados, eram mortos das maneiras mais terríveis (...).
4
– o humildo cristão Policarpo (...) ao contrário do que se costumava fazer, foi
apenas atado, e não cravado. Ao acenderem a fogueira, as chamas rodearam-lhe o
corpo (...). Ordenaram então ao carrasco que o traspassasse com uma espada. Com
isto, manou tão grande quantidade de sangue (...).
5
- (...) uma família inteira de cristãos-novos foi exterminada. Enero, o mais
velho dos irmãos, foi flagelado e prensado com pesos até morrer. Félix e
Felipe, os outros dois cristãos que o seguiam em idade, foram descerebrados com
garrotes. Silvano, o quarto, foi jogado de um precipício e morreu. Os três mais
novos, Alexandro, Vital e Marcial, foram decapitados. A mãe foi morta com a
mesma espada que os mataram.
6
- (...) Em outra situação, o senhor Justino foi detido juntamente com seis
companheiros (...) foram condenados ao açoite seguido de decapitação.
7
– Em outra situação de tortura, diz que: (...) a este aplicaram pratos de
bronze em brasas sobre as partes mais sensíveis do corpo; (...) Bíblias, uma
frágil mulher; Attalo de Pérgamo e Potino. (...) penduraram em um lenho a fim
de expô-la como alimento às feras. Entretanto, com suas fervorosas orações, ela
alentava os companheiros. (...).
Uma das canções/orações que, juntos de mãos dadas os cristãos-novos oravam
quando devorados pelos leões e que atualmente (ainda) é interpretado por vários artistas, seja em canto, seja
instrumentalmente, é datada do ano de 67 d.C:
“Queremos Deus, homens ingratos / Ao
pai supremo, ao redentor, sou o pão da fé / Os insensatos, erguem-se em vão
contra o senhor / Da nossa fé, oh virgem, o brado abençoai / Queremos Deus que
é o nosso Rei / Queremos Deus que é o nosso Pai”
"Queremos Deus" (Volumus
Deum), de autoria desconhecida.







