sexta-feira, 4 de dezembro de 2015

NATAL, CRISTÃOS-NOVOS, AMOR E FÉ!


O Natal, representativo momento do nascimento do menino Jesus, o Cristo, pode ser interpretado como sendo o marco zero das boas-vindas de amor e esperança para a humanidade: "É chegado o Messias!" 
Ou seja, a passagem evolutiva de tornar uma humanidade antes semisselvagem (regida basicamente pelo ódio vingativo e cruel na ‘Lei de Sião’) para uma esclarecida e amável regida pelos ensinamentos do Evangelho que tão-logo estaria por se firmar.
Porém, como não se sabia ao certo a data do Seu nascimento, o imperador romano Constantino, na época de seu reinado, acabou por legitimar essa data (25 de dezembro) como comemoração ao nascimento de Jesus Cristo (nascido em Belém, província romana da Judeia). Onde até 325 dC, 25 de dezembro era data da festa pagã para celebração de seus deuses.
Por Constantino, essa ação partiu da necessidade de acabar com as perseguições dos pagãos aos cristãos-novos, unificando a prática do Cristianismo ao Império Romano, uma vez que com o incessante crescimento do número de adeptos ao Evangelho Cristão, o império sentiu-se ameaçado, tendo como alternativa aceitar e unificar-se ao novo credo. Porém, até esse apaziguamento, os cristãos-novos sofreram as mais terríveis perseguições. 
Na oportunidade, como forma de reconhecimento aos cristãos-novos por terem sido os primeiros praticantes do cristianismo-primitivo em difundirem os ensinamentos de amor e justiça deixados pelo Mestre Jesus, onde estes foram mortos cruel e resignadamente pelo "crime" de acreditar no poder da benevolência que o Cristianismo contribuiria a humanidade, segue algumas passagens a título de conhecimento e reflexão, onde tais passagens do tratamento do império romano à época aos cristãos podem ser encontradas em leituras documentais (de Nero a Constantino), como em “Martírios dos cristãos-novos”, “TácitoAnnales, XV”, "Eusébio de Cesareia, História Eclesiástica", "Gregório de Tours, Historia Francorum, I".
Esses cristãos, por idolatrarem um Deus acima do ‘César’, ou seja, uma adoração contrária aos interesses soberanos do Império Romano, foram submetidos as mais terríveis torturas, onde segundo os historiadores algumas torturas mortais eram até espetáculos da época, causando euforia e animação, mas que em alguns momentos as cenas chegavam até a comover muitos da plateia de tão forte que era a fé desses cristãos-novos por não esbanjarem reações quando eram devorados vivos por leões nas Arenas, mantendo-se parados e ajoelhados de mãos dadas em fortes orações, por exemplo. Ou seja, ainda que os plebeus e nobres pagãos já estivessem acostumados com todo tipo tenebrosidade das Arenas, esses comportamentos dos cristãos começaram a impressionar quem assim os vissem. Segue:
(III Perseguição, ano 108 d.C, sob o Império de Trajano).
1 - (...) Plínio, vendo a lamentável matança de cristãos, foi movido pela compaixão e escreveu a Trajano, imperador de Roma, comunicando-lhe que milhares de pessoas eram mortas diariamente sem que nada houvessem feito às leis romanas; não mereciam, portanto, aquela perseguição, pois “Tudo o que eles contam acerca de seu crime ou erro (ou como tenha que se chamar) somente consiste nisto: que costumam reunir-se em determinados dias, antes do amanhecer, e repetir juntos uma oração que honra a Cristo como Deus, além de se comprometerem a não cometer maldade alguma, não furtar, roubar ou adulterar; nunca mentir, e jamais defraudar alguém. Feito isto, costumam separar-se e voltar a reunir-se depois para uma inocente refeição em comum”. 2 - (...) o cristão Inácio quando lançado às feras, (...), cada vez que ouvia rugir os leões, dizia: “Sou o trigo de Cristo; vou ser moído com os dentes de feras para que possa ser achado pão puro”. (...)
(IV Perseguição, ano 162 d.C, sob Império de Marco Aurélio).
3 - Alguns dos mártires eram obrigados a passar, com os pés já feridos, sobre espinhos, cravos, conchas afiadas, etc. Outros eram açoitados até que seus tendões e veias ficassem expostos, e, depois de haverem sofrido os mais atrozes tormentos já inventados, eram mortos das maneiras mais terríveis (...).
4 – o humildo cristão Policarpo (...) ao contrário do que se costumava fazer, foi apenas atado, e não cravado. Ao acenderem a fogueira, as chamas rodearam-lhe o corpo (...). Ordenaram então ao carrasco que o traspassasse com uma espada. Com isto, manou tão grande quantidade de sangue (...).
5 - (...) uma família inteira de cristãos-novos foi exterminada. Enero, o mais velho dos irmãos, foi flagelado e prensado com pesos até morrer. Félix e Felipe, os outros dois cristãos que o seguiam em idade, foram descerebrados com garrotes. Silvano, o quarto, foi jogado de um precipício e morreu. Os três mais novos, Alexandro, Vital e Marcial, foram decapitados. A mãe foi morta com a mesma espada que os mataram.
6 - (...) Em outra situação, o senhor Justino foi detido juntamente com seis companheiros (...) foram condenados ao açoite seguido de decapitação.
7 – Em outra situação de tortura, diz que: (...) a este aplicaram pratos de bronze em brasas sobre as partes mais sensíveis do corpo; (...) Bíblias, uma frágil mulher; Attalo de Pérgamo e Potino. (...) penduraram em um lenho a fim de expô-la como alimento às feras. Entretanto, com suas fervorosas orações, ela alentava os companheiros. (...).
Uma das canções/orações que, juntos de mãos dadas os cristãos-novos oravam quando devorados pelos leões e que atualmente (ainda) é interpretado por vários artistas, seja em canto, seja instrumentalmente, é datada do ano de 67 d.C:
“Queremos Deus, homens ingratos / Ao pai supremo, ao redentor, sou o pão da fé / Os insensatos, erguem-se em vão contra o senhor / Da nossa fé, oh virgem, o brado abençoai / Queremos Deus que é o nosso Rei / Queremos Deus que é o nosso Pai” 
"Queremos Deus" (Volumus Deum), de autoria desconhecida.

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