segunda-feira, 30 de novembro de 2015

EM PROSA DE SERTANEJO SEM VERSO E SEM POESIA, É COVARDIA!

           
                                                                         Arte: Carla Zanetti
           
  E quem se perguntar por que essa gente escolheu esse lugar, há de responder que o lugar foi quem escolheu toda gente pra morar. Por aqui se está e por onde sempre há de beijar!
Um lugar seco e quente, eu já sei disso seu viajante. Desajunte seu acento e vem cá pra perto dagente prosear! Lugar que não chove o suficiente é aqui, onde a vida é intermitente. É disso que não nos alumia inconveniente, mas tira-se de resto um torto repente.
Não é estiagem, o raso sol salgado, adverso lugar que não se mete uma planta, é falta de oportunidade, porque pobre é aqui qualquer forma de esperança. Pode-se por observação se contar dois fardo de permanência ao supra citado.
O primeiro: social, sem lugar abastado, afeiçoam-se a viver no tempo que a terra lhes puser. Do outro o apego ancestral. Terras que não se come, mas se lembra. Terra que não se vence, mas se sente. Já se diz, por entre falas do João Guimarães Rosa, “O sertão está dentro d’agente”.
O sertanejo, moldado nas arestas do semiárido nordestino pelas forças da miscigenação Ameríndia, com a bravura africana e a marcante tradição europeia sebastiânica, formou-se como tal, um povo que desde então, a partir do marcante cultura do gado bovino desbravado pelo Velho Chico mundão adentro, o desconhecido sertão à sua colonização e domínio foi singrado. Longe do ideal “Don Quixote”, mas Cervantes é terra da gente!
Por essas pagas, tangido pela força da necessidade, resplandecido por sonhos soberanos de “reis e donzelas” fortalecidos pela esperança da salvação do Divino Sacramento, o sertanejo foi-se inspiração de seu próprio sentimento, a guiar-se por entre o mundo das incertezas, por entre os sois infinitos dos meios-dias, as intempéries dos silêncios das “noites” a guiar-se das desconhecidas alvoradas secas e neblinadas de esperanças. Cantaria bem mais profunda a doce Raquel cearense que no “O Quinze”, suspirou em registro a seca tão demente!
O sertanejo foi-se engenhoso pelo grito inerte e urgente a adaptar-se em convivência de curto espaço e longa de tempo, do que ao redor de sua vida continuamente é desafiadora torrente.
O sertanejo foi-se um Titã renitente numa batalha infindável e desfavorável às suas estratégias de sobrevivência. Batalha que não se vence; combate que não se rende. Entrincheirando em suas crenças, em seu corpo pálido, seu respiro seco, seu olhar famélico e indulgente. Assume o fardo, não declara desonra, sustenta a fé e suporta o ávido sol no resto de carne que ainda lhes resta ao rosto complacente. Pobre Homero que na “Iliada”, não travou batalha tão sinistra semelhante a que aqui ainda existe na traição de todo o sempre.
Teu mundo dentro de si, não aparenta ser maior que o seu quintal inflado de desassossego, numa paz morta trilhando caminho onde no mesmo dia que é conhecido estreito seguro rente, torna-se misterioso visto na noite de silêncio!
O sertanejo dia a dia, ver-se segue sem rumo, sem lado, sem flanco ou ribanceira, mas o seu feroz “inimigo” teima a espreitar incansável do alto da cumeeira.
A batalha é constante. A guerra se trava em silêncio, sem canhões, sem bandeiras sem toque de recolher! O olhar frígido comumente é a única baioneta que se serve ríspido a vertical ou horizonte.
E a dor que se sente, suspiro de uma quase gente, o inimigo lhes suga a testa, lhes queima a mente, lhes treme quente em momento que nem chuva não se pensa.
O tempo parou: ele lá e cá aqui o sertão numa peça de gente. Confia na raiz que imagina e sustenta em medo pela força, mesmo sem garapa de cana, num rosto atirado pra cima não vacila e não se atreve a se perder de vista.
O sertanejo, foi-se de sabedoria e engenhosidade genuína, estas minadas e espremidas da alvoroça extremidade inventiva lida que a necessidade alugada em praga e reza o obriga.
O sertanejo nasceu inato imune ao próprio temor, seguro de suas experimentações ao longo de sua vida vivida.
O sertanejo é sábio por seu acurado instinto mítico. Por superstições, em típica originalidade helênica, mas de um só Deus pra toda vida!
O sertanejo é o engenhoso funcionamento da vida desassossegada. Sinais de chuva, ouvidos que ressoa fases da lua; mudanças, limites, farturas, projeções... Onde com a escassez se brinca, mas com as “leis” conservar-se e se finda. Não ler enciclopédia para aprender para a vida!
O sertanejo corteja a arte da esperança com a fé manifesta ritmada na acolhida alegria junina.
Sertanejo manifesta-se em poesia, palavras, formas e em fala pitoresca de frutíferas gerações que já se tem quem cante em filosofia, eis lá o “poeta do absurdo”. No artesanato que rumina e envereda pelo carrasco, em montaria da segurança em barro do dia e que amanhece fria. E sempre tem porta batendo de esperança nas adversidades, choram-se ou tiram-se de ruínas amigas tapeçarias.
Do pífano, da zabumba e da rabeca... o mistério se esconde, sem rosto, sem nome, sem depoimento e sem cortesia. A aridez tira o brilho do sorriso, a terra que reside riqueza e lamento, o cordel do sertanejo foi dado no dom de ensinamento.
Sertanejo sutil fez do sertão o seu cantil, pelo grito verniz cinzento pinta o cenário do céu com fitas de pindobas sem polimento. A alegria simples de todo dia, importa mais que alforria!
Sertanejo que faz brotar vida onde não se imagina. Para quem não se dar a compreender, lá pela velha Canudos de imponência, Euclides da Cunha hei de dizer: “Não há manhãs que se comparem as de canudos: nem as manhãs sul mineiras, nem as manhãs douradas do planalto central de São Paulo”.
E na lembrança da “vingatice” do Virgulino cruzada na benção do Padin Ciço, homem ligeiro, o sertão seco ou brejeiro, mais que justiceiro de ontem hoje é forte pelo acolhimento herdeiro, desde nos arautos do Conselheiro, José Lins, Patativas e Suassunas ao rico povo obreiro, sombreado nas caatingas dos juazeiros faz-se hoje para sempre perfeito o bem-vindo com um forte aperto para todo amigo brasileiro, seja ele, devoto ou não, da esperada e eterna salvação pelo tão ilustre Rei Sebastião!


quarta-feira, 25 de novembro de 2015

INSEGURANÇA ALIMENTAR E SUAS CONTROVÉRSIAS

O século XXI está marcado pelo crescente aumento da população mundial demandando naturalmente mais alimentos. Entretanto isso fez insurgir nas últimas décadas um emaranhado de informações acerca de uma possível insegurança alimentar provocando amplo alvoroço de preocupações como se a fome atual nada significasse. Ou seja, de certa forma uma informação atrasada, já que a falta de comida, desde muito tempo faz parte da vida de muitos em países africanos, asiáticos e latino-americanos. Como em alguns lugares no Brasil, por exemplo, ainda que alguns esforços tenham diminuído.
Nos zum-zum-zuns das especulações, uns alardeiam que crise só acontece quando os padrões de consumo mais opulentos dos países nórdicos são “incomodados” por crises econômicas. Outros asseguram que se deve às organizações internacionais respaldando outros interesses. Alguns de que se deve ao explosivo crescimento demográfico. Não sei, mas por certo, nessa nova ordem mundial, não se pode duvidar de nada. Porém, antes que se tente apurar verdadeiramente os fatos, as causas, os porquês e auês, alguns oportunistas de plantão se utilizam de situais como tais para favorecer seu campo de interesse. Por exemplo, o mercado madeireiro ilegal, o qual diante de uma “tensão alimentar” como essa, montam, imediatamente, planos estratégicos e minuciosos em tentar convencer a opinião publica de que há vantagens no aniquilamento de ambientes naturais, justificando-se pelo fato de que se vão produzir alimentos. Falatórios como esses foram e são ainda disseminados pelo Brasil afora a favorecer o aumento das fronteiras agrícolas em detrimento de ambientais naturais, desprovidos de qualquer tipo de estudos de impactos ambientais, inclusive.
Nisso, eu aqui com meus botões fico analisando o quanto dessa questão alimentar tem gerado discursos dos mais mascarados, tendenciosos e enganosos, produzindo intencional e irresponsavelmente contradições nos dois lados da moeda: agropecuaristas que a todo custo querem aumentar suas fronteiras agrícolas e os ambientalistas que a todo custo são contra o agronegócio. Ou seja, ambos no calor de seus interesses irrestritos acabam por se perder em discursos vaidosos, cartesianos e teóricos, tão somente. Por vezes perdendo o foco (de forma irracional até) naquilo que se pretende enquanto defensor de uma causa ou outra. A humanidade precisa tanto de alimentos quanto dos serviços ambientais e em níveis de igualdade. Isso é fato! Para isso é necessário compreender o funcionamento do planeta através de uma visão holística, eu diria, de que o todo é maior que a simples soma de suas partes. E nisso é que a humanidade se beneficia. Enquanto isso, as vigentes contradições quanto à insegurança alimentar são corriqueiras, abrindo precedentes para todo tipo de colocação.
Pois bem, vamos às contradições: segundo estudos da FAO (Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura) feito em 2012¹, aproximadamente 40% do que se produz de alimento no mundo (portanto quase a metade) é desperdiçada. Jogado no lixo! Vale dizer que os maiores índices de desperdícios e má distribuição de alimentos são promovidos, principalmente, dentro dos próprios países subdesenvolvidos, contrariando aqueles que dizem que a fome na áfrica é pelo consumo exagerado dos EUA, como se costuma dizer. O problema da África, da Ásia ou do Brasil está, principalmente, dentro de cada país, seja no desperdício, problemas climáticos, políticos ou corrupção. Mas aí pergunto, será que existe crise de alimentos de fato? Será que para alimentar a população mundial vindoura e, antes disso, matar a fome dos milhões dos que já existem é preciso derrubar mais florestas? Em minha ingênua opinião, se o interesse fosse realmente alimentar a humanidade, já o era possível só com o que se tem atualmente, desde já, controlando os aberrantes desperdícios. Digo opinião ingênua porque, infelizmente, a preocupação por essa crescente produção é estimulada por outros interesses. Que o digam os fortes mercados mundiais de especulações financeiras. Ou seja, não interessa se o que produzir, em termos de comida, vai para a boca de alguém ou para o lixo. Não interessa se o dano ambiental é preocupante ou não. Importa é que a produção tenha bons câmbios e mercados. Essa é a lógica, oh, cara pálida!  
No Brasil ficou explícito quando tentaram esquartejar o Código Florestal. A ampliação das fronteiras agrícolas estava acima de qualquer defesa dos espaços naturais preservados os quais nos são vitais pelos serviços ambientais. Porém o que vem ao caso é que no Brasil não se necessita de mais derrubadas de florestas para implantação de pastos ou culturas agrícolas. Em extensão, o Brasil é um dos países (senão o maior!) em fronteiras agrícolas, com destaque para o clima e solos favoráveis. O problema está em baixa produtividade.
Ainda segundo a FAO, em seu anuário de produção (Production yearbook)², a produtividade média em milhões de toneladas ha/ano de trigo e milho, tratando-se de commodities, no Brasil tem sido 62,5% e 75%, respectivamente, menores que nos EUA. Diga-se de passagem, nos EUA existem extensas áreas improdutivas como desertos e pântanos, além de períodos do ano com baixas temperaturas desfavoráveis ao cultivo. Diferentemente do Brasil onde o jargão “tudo que se planta, dá”, seria bem mais verdadeiro se empregassem tecnologias. Isso mesmo, o diferencial é que nos EUA se investe maciçamente em pesquisa e tecnologia em busca de produtividade cada vez maior.
A insegurança alimentar tem sido uma bandeira muito utilizada por discursos ideológicos, reverberando para o mundo inteiro que se trata de acontecimento apocalíptico incontornável, produzido por países capitalistas. O que não passa de um argumento desprovido de qualquer lógica, já que é o próprio capitalismo que tem mais produzido alimento no mundo, além de estimular e financiar diversas tecnologias. Sem falar de que há, por interesses mesquinhos de setores produtivos, especulações e ideologizações segmentando as sociedade no mundo, com políticas e sistemas de governo falhos. Ou seja, a insegurança alimentar tem sido mais intensificada por sistema de subsídios e políticas protecionistas que promovem o desaceleramento da produção mundial; por embargos e questões de conflitos políticos ideológicos; por insignificantes investimentos em infraestruturas o que, além de produzir pouco, produz com custo alto; tecnologias arcaicas e insuficientes ou fundamentalismos ideológico-político-religiosos que não permitem meios tecnológicos em seus domínios; disseminações (ainda) de teorias ultrapassadas como a malthusiana e a reformista (marxista), que inseridas nas políticas econômicas, acabam por não estimular desenvolvimento do setor agropecuário... Enfim, tudo isso converge, consequentemente, na resultante de gente cada vez mais mal alimentada e vítima de inanição por todo o mundo, vistos, principalmente, por governos corruptos, totalitários e intolerantes. Por sua vez, é preciso entender que as florestas devem ser preservadas e não se tornarem 'vítimas' de teorias psicopatas e ambições nefastas. Onde, de uma vez por todas, saibamos que a falta de alimento no mundo não se resolve com o desespero e o precipitado argumento de que se deve destruir mais e mais espaços naturais.


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¹Fonte: Desperdício mundial, 2012. <https://www.fao.org.br
²Fonte: FAO (Production yearbook/2010), 2012. < http://www.fao.org/docrep/015/i2490e/i2490e03b.pdf>



quinta-feira, 12 de novembro de 2015

ARTE CONTEMPORÂNEA, SINÔNIMO DE NADA COM COISA ALGUMA

Levando a rigor e sem precedentes o pensamento niilista de "a realidade é o que eu imagino”, muito do que se diz de arte hoje em dia é fruto inequívoco dessa falseta idealizadora de escape oportunista para “obras de arte” do tipo no-sense, a que chamam de arte contemporânea.
O psicopata e sanguinário Adolf Hitler, ainda quando cidadão comum austríaco, foi rejeitado pelas escolas de artes plásticas por não considerarem seus traços como ideais. Embora não tenha inventado algum alvitre conceitual ‘modernizante’ para que pudesse encaixar seus traços no cenário artístico da época, coisa que os sem talentos fizeram a arte contemporânea atual, Hitler fez pior após sua constrangedora desilusão artísticas, monopolizou a arte sob o terror nazista. O fato é que atualmente muitos não aceitam a realidade de que não tem um mínimo de talento para as artes e, motivados por pura vaidade cega e galopante, querem empurrar goela abaixo qualquer coisa como sendo obras de arte. 
Ainda que algum “artista contemporâneo” tente usar como predecessores para a sua arte contemporânea o dadaísmo, escola artística alemã do início do século XX ou o surrealismo, surgido na França também do mesmo século (as quais eram “contrário aos padrões da arte estabelecida”), não se justifica. Pois desvinculado de regras e normas para a construção das obras, essas escolas tiveram uma razão de ser. Peguemos, por exemplo, a obra surrealista o “Relógio” de Salvador Dali e vamos observar que a imagem do relógio derretido impressiona imediato e naturalmente o espectador. Ou seja, mesmo para "fugir" ao realismo, a forma do objeto relógio foi mantida. E nem é preciso falar dos traços perfeitos ou da perfeita combinação de cores que o Dali se utilizou para compor a obra. E o que se ver e se viu nas últimas décadas em eventos ou galerias de exposição, principalmente esculturas e pinturas, é mais uma bagunça visual do que arte propriamente dita. Não há definição do que se está mostrando: faz-se qualquer coisa e enche de teorias. Onde já querendo convencer pelo discurso, esquecem a própria "obra" lá jogada sem forma, sem sentido, sem fim.
Chamam qualquer coisa de arte: jogam-se tintas de diferentes cores numa tela, inventam qualquer tema, dão um nome e pronto, é uma obra de arte! Rabiscam quaisquer formas e traços, marcam pontos, fazem círculos e pronto: eis mais uma tela! Tratando-se de “esculturas”, a bagunça é ainda mais bizarra. É de espantar a coragem que têm de expor algo do tipo como um sapato-velho-sobre-uma-caixa-de-tomate-junto-a-um-pneu-qualquer-pendurando-um-guarda-chuva-quebrado-com-um-fio-de-náilon-ao-lado-de-um-resto-de-bicicleta: atentai-vos bem, isso é uma escultura da arte contemporânea! Até o ‘monstro’ Frankenstein (inspirado no romance gótico de Mary Shelley) tinha forma e sentido. Ou seja, nem chamar isso de “obra-de-arte-Frankenstein” é possível.
 Vale salientar que são exposições, montagens, produções e turnês, muitas delas, financiadas com verba estatal através da Lei Rouanet por meio do Ministério da Cultura. Um escandaloso desperdício!
 Como se não bastasse, querem que as pessoas aceitem isso sem um mínimo de constrangimento, crítica ou vergonha alheia. Pois para esses Cult da arte contemporânea (sic), é ser um leigo, um ignorante das artes ou um ser insensível quem não admira tais “obras”. E por aí vemos muita gente olhando e balançando a cabeça diante dessas “obras de arte contemporânea”. E a pressão é tão grande que esses "admiradores" ficam acoados sem poder expor sua reprovação daquilo que não lhes causou impressão alguma, pois seria julgado como um estranho se falasse algo contrário ao que querem estabelecer, uma vez que o ambiente já está completamente dominado pelo apelo-teórico-ultrajante a quem for alheio. Onde a única saída do espectador constrangido seria elogiar por força da conveniência para livrar-se logo daquela visão horrenda.
o pior de tudo isso, nesse joguete do faço-de-conta-que-sou-artista e do faço-de-conta-que-gostei, é que se vai cultuando uma atmosfera instintiva de valorizar o feio, o desprezível, o horrendo e desprezar as verdadeiras belezas artísticas, colocando essas em segundo ou último plano. Não é nada difícil de entender que simplesmente esses artistas contemporâneos no-sense são meros oportunistas sem talento. Reconhecer e afirmar isso é ser honesto e verdadeiro, principalmente, consigo mesmo. É não aceitar o imaginário trapaceiro acima da realidade. A intitulação dessas coisas de arte contemporânea é uma tentativa de saída para aquilo que não é cabível em lugar algum. Uma boa desculpa esfarrapada!
 Mas aqui eu me pergunto: se eu gasto a palavra ARTE com essas coisas, com qual palavra devo me referir portanto as obras de um Delacroix, de um Moneti, Van Gogh, Renoir ou de um Portinari?  Nas esculturas, o que falar da “Vênus de Milo”, de Antioquia e outras tantas belíssimas esculturas gregas, os conhecidos “bustos gregos”. Ou a bela “Pietá” de Michelangelo. Será que precisamos nos estender para outras veredas artísticas, como música, teatro, literatura...?
Não se trata de rejeitar a arte pós-clássica. Existem sim, obras de arte moderna que verdadeiramente impressionam. Embora não passe de 5%, mas existem! Portanto o fato é óbvio: trata-se aqui das empulhações que querem ser chamadas de arte, por simples vaidade ou estratégia de sobrevivência. Onde muitos sem uma grama de talento, comportam-se semelhante o personagem Hilary do romance “O Oportunista” de Paul Read, em adquirir umas telas, misturar algumas tintas quaisquer, expor e, para a sua própria surpresa, conseguir vendê-las!
Óbvio que arte não é uma ação criativa com conceituação única e engessada. Pois como fruto de imaginação, grosso modo, arte ‘existe’ para 'interpretar' emoções e paisagens. Assim é a liberdade artística de ser como tal. Por outro lado, arte tem em sentido primário a irrefutável função de agradar os sentidos. Portanto, não se pode chamar qualquer coisa de arte, simplesmente porque querem que a chamem. A arquitetura moderna (contemporânea) se baseia no geral, por exemplo, numa “estética-caixa-de-sapato”. Isso já desde meados do século XX. Ou seja, foi-se o tempo de realmente “arquitetar” uma fachada de forma minuciosamente detalhada e artisticamente bela. Com algumas raríssimas exceções!
Enfim, agradar os sentidos requer uma combinação natural de fatores estético-sensoriais. É aquilo que os órgãos dos sentidos, a priori, 'aceitam' involuntariamente sem apelo teórico. E qualquer ação que fuja a essa naturalidade, não está em ordem cognitiva com os sentidos. Há um desarranjo psíquico como em sentir prazer com a dor ou satisfação pelo sabor podre. Ou uma intencional negação da realidade natural das coisas guiada por outros interesses. Eis a arte contemporânea no-sense, livre do Hitler psicopata (felizmente), mas monopolizado ainda por discursos (infelizmente)!


quinta-feira, 5 de novembro de 2015

NÃO PROCURE ENTENDER MINHA CABEÇA, ENTENDA A SUA.

Amanhã... quem seremos nós? Que serei eu? Que será você? Que mais nos importará nessa vida com os pés na lama? Ou será que há algum chão a ser pisado e eu que não estou atento? Digam-me se pisar nas nuvens é verossímil?! Não, acho que não. Não existe perfeição! Sonhos não podem passar de uma noite, no dia seguinte outro ocupará o seu lugar.
A vida é uma armadilha engatilhada desde cedo. Um risco para o próximo, no mínimo! Uma repetição de absurdos e imitações. Absurdos que vemos e somos. Não existem novidades. Mágicas não existem e personalidade é um truque. Mas tudo bem, a vida é um mundo patente e cada um a estraga como quiser.
Bem aventurados, olhem bem: consciência "limpa" nesse mundo não existe! Ao menos para aqueles que nunca a usaram. Viver honrado tornou-se um martírio e de forma decente é ofender os comuns. Não lamentar e salvar a si mesmo, é mais econômico do que se perder esquecido e ultrajado na ilusão de que vai consertar o mundo!  
E não me façam rir, pois não existe fugir da realidade. Todos os que de uma forma ou de outra tentaram essa "façanha" é que mais se atolaram nela.
Acredite em computador, internet sim, mas saiba que você terá que ir sempre a padaria comprar pão. E onde quer que esteja, estará sozinho. E para sua sorte, um pé no rio outro à margem.
Foi o próprio homem quem construiu o mundo e nele mesmo vive como cobaia a todo o momento. É esse mundo que está a nossa volta: “o paraíso das mulheres, o purgatório dos homens e o inferno dos seus filhos”, já dizia o poeta.
O que fazer tirar Jesus da Cruz? Não há solução quando a causa já é o fim ou quando os meios já não mais justificam esse mesmo fim. Alguns admitem que há beleza na miséria, outros fazem da esperança uma indústria! E para uma ideologia utópica, delinquente e oportunista os ricos devem ser condenados por gozarem a vida. E tentam enganar que esfarrapados desvalidos sofrem por culpa do sorriso alheio!
Realmente só a filosofia alemã conseguiu explicar que a "dor é a grande saúde!" Por isso digo que chega de verdades, pois diante dessas, a loucura dos poetas me interessa mais!
Atentai-vos bem: nesse mundo, apodreceremos todos juntos, pagãos e cristão, desde já respirando o ar viciado das gerações passadas com suas estórias todas estropiadas e equivocadas. E também não é novidade que as próximas gerações pagarão o preço de ‘inteligências’ egoístas, orgulhosas e doentias. 
Essa de viver a eterna juventude são apenas falácias de quem acumulou merda na cabeça. Nega-se assumir seu próprio tempo, sua idade e seus fracassos? Então crescer não significa necessariamente evolução. No mais, progresso é a descoberta de quando se consegue repetir a dose da vida mais uma vez ainda aqui. Mas o que dizer do cão que sempre volta ao seu vômito? 
O mundo nunca será perfeito! Mas falam que sim porque querem te domar e depois te atropelar. Cuidado: não se enganem com carinhas felizes, moralismos exacerbados e argumentos normativos, eles não explicaram como foi escrita a humanidade. Orientar-se pelas precedentes entrelinhas das  "Ilusões Perdidas" de Balzac? Pois bem, de antemão saibamos que a vida é uma escolha e por ela não cabe arrependimentos, vitimismos ou culpas alheias. 
Mas não precisamos voltar à década de 1960 para vermos poetas utopicamente alienados fumando muita maconha e sonhando num mundo impossível de paz e amor. Assim como faziam os jovens da classe média da época que brincavam de hippies metidos a rebeldes nas tardes de domingo. A única diferença é que nos dias de hoje não existem sonhos e nem poetas. O que temos: uma liberdade sexual avacalhada; uma liberdade dos costumes ‘esquematizadas’ pela grande mídia e o autoflagelo do não-consumismo recheada em literaturas tendenciosamente mal explicadas.
Vivemos uma piada paradoxal sem graça! Mas o mundo é contraditório e tinha que ser. O futuro está cheio de gente querendo imitar os outros. E acreditando ainda em futuro, permanecem atoladas nas castidades do presente. Tudo ao ‘futuro’ e ao presente nada. Nada mais que um proposital entorpecente ideológico, pois esse ‘futuro’ sabe de cor o que poderemos ser. E é isso o que não se ousa dizer. Você vive o presente? Menos mal, pois viva e conserve o que há de melhor!
Pois quanto aos loucos: são os que estão em hospitais maquiavélicos ou os que acreditam nas promessas de um mundo melhor? E o amanhã, é outro dia? Tenho minhas dúvidas!