terça-feira, 28 de março de 2017

JESUS DE NAZARÉ, O PREGADOR DA GALILEIA



    Antes de considerá-lo o MESSIAS, o MESTRE ou o CRISTO, eu o tenho com muita admiração como o MAIOR poeta, filósofo e educador. O maior sábio de todos os tempos na sua mais pura expressão terrena.
    Um MESTRE que nunca impunha postura santificada nem se privilegiava disso aos presentes, ao contrário convivia em paz com toda gente de humano para humano. Convivia com pessoas pobres, desvalidas, ignorantes, gente doente, leprosa, pestilenta e ao mesmo tempo com pessoas de boa saúde, doutores da ciência, alta nobreza e gente de boas condições econômicas! E sem distinção ou privilégio para um ou outro. As rodas de conversas e os amparos solicitados eram para todos! 
  Nunca pregou a discórdia entre classes, nunca incitou a inveja ou o ódio a quem estivesse em melhor posição social. Apenas e, sempre por parábolas, o MESTRE pregava o desapego material e a caridade como alternativa de evolução espiritual e alcance da vida eterna, ou como queiram chamar. Mas sempre respeitando a decisão de cada um! A cada um o livre-arbítrio; a cada um o peso das consequências; a cada um o prêmio pelo próprio mérito! Aludia para a bondade e a tolerância para todo o sempre, porém aliado com a justiça e longe da permissividade.
   “VINDE ATÉ MIM!” - assim nunca impôs ordens ou prescrição de temor para que alguém pudesse fazer isso ou aquilo por SUA vontade. Em toda SUA vida pregou a paz, com palavras de conforto para o exercício do amor e do perdão. E NUNCA cobrava sequer um tostão, no máximo era convidado para um jantar ou um almoço!
   As tais parábolas que eram procuradas e admiradas por todos os povos daquela época, impressionavam a todos, tamanha a sua forma carismática e afetuosa de falar sobre assuntos que, até o presente momento, eram novidades, impraticáveis por se tratar de uma sociedade ainda semisselvagem, dominada por relações de ódio e vingança!
    Admirar esse HOMEM é compreender os seus esforços de exemplificar o poder da humildade, do afeto, do perdão, do amor, do respeito, da ordem moral, da cordialidade, dos princípios e condutas éticas; do respeito e do amor entre as pessoas e com a natureza! Ensinando a dignidade humana em conquistar suas poses pelo próprio esforço; a sua alimentação e seu patrimônio com o trabalho, a perseverança e a fé! 
    O exercício de honrar seus pais, o lar, a família; o alimento, a pátria e o respeito altivo a tudo que for alheio! Admiro esse MESTRE, especialmente por tais ensinamentos, os quais podem ser considerados os verdadeiros milagres e santidades do cristianismo para toda humanidade!

sexta-feira, 4 de dezembro de 2015

NATAL, CRISTÃOS-NOVOS, AMOR E FÉ!


O Natal, representativo momento do nascimento do menino Jesus, o Cristo, pode ser interpretado como sendo o marco zero das boas-vindas de amor e esperança para a humanidade: "É chegado o Messias!" 
Ou seja, a passagem evolutiva de tornar uma humanidade antes semisselvagem (regida basicamente pelo ódio vingativo e cruel na ‘Lei de Sião’) para uma esclarecida e amável regida pelos ensinamentos do Evangelho que tão-logo estaria por se firmar.
Porém, como não se sabia ao certo a data do Seu nascimento, o imperador romano Constantino, na época de seu reinado, acabou por legitimar essa data (25 de dezembro) como comemoração ao nascimento de Jesus Cristo (nascido em Belém, província romana da Judeia). Onde até 325 dC, 25 de dezembro era data da festa pagã para celebração de seus deuses.
Por Constantino, essa ação partiu da necessidade de acabar com as perseguições dos pagãos aos cristãos-novos, unificando a prática do Cristianismo ao Império Romano, uma vez que com o incessante crescimento do número de adeptos ao Evangelho Cristão, o império sentiu-se ameaçado, tendo como alternativa aceitar e unificar-se ao novo credo. Porém, até esse apaziguamento, os cristãos-novos sofreram as mais terríveis perseguições. 
Na oportunidade, como forma de reconhecimento aos cristãos-novos por terem sido os primeiros praticantes do cristianismo-primitivo em difundirem os ensinamentos de amor e justiça deixados pelo Mestre Jesus, onde estes foram mortos cruel e resignadamente pelo "crime" de acreditar no poder da benevolência que o Cristianismo contribuiria a humanidade, segue algumas passagens a título de conhecimento e reflexão, onde tais passagens do tratamento do império romano à época aos cristãos podem ser encontradas em leituras documentais (de Nero a Constantino), como em “Martírios dos cristãos-novos”, “TácitoAnnales, XV”, "Eusébio de Cesareia, História Eclesiástica", "Gregório de Tours, Historia Francorum, I".
Esses cristãos, por idolatrarem um Deus acima do ‘César’, ou seja, uma adoração contrária aos interesses soberanos do Império Romano, foram submetidos as mais terríveis torturas, onde segundo os historiadores algumas torturas mortais eram até espetáculos da época, causando euforia e animação, mas que em alguns momentos as cenas chegavam até a comover muitos da plateia de tão forte que era a fé desses cristãos-novos por não esbanjarem reações quando eram devorados vivos por leões nas Arenas, mantendo-se parados e ajoelhados de mãos dadas em fortes orações, por exemplo. Ou seja, ainda que os plebeus e nobres pagãos já estivessem acostumados com todo tipo tenebrosidade das Arenas, esses comportamentos dos cristãos começaram a impressionar quem assim os vissem. Segue:
(III Perseguição, ano 108 d.C, sob o Império de Trajano).
1 - (...) Plínio, vendo a lamentável matança de cristãos, foi movido pela compaixão e escreveu a Trajano, imperador de Roma, comunicando-lhe que milhares de pessoas eram mortas diariamente sem que nada houvessem feito às leis romanas; não mereciam, portanto, aquela perseguição, pois “Tudo o que eles contam acerca de seu crime ou erro (ou como tenha que se chamar) somente consiste nisto: que costumam reunir-se em determinados dias, antes do amanhecer, e repetir juntos uma oração que honra a Cristo como Deus, além de se comprometerem a não cometer maldade alguma, não furtar, roubar ou adulterar; nunca mentir, e jamais defraudar alguém. Feito isto, costumam separar-se e voltar a reunir-se depois para uma inocente refeição em comum”. 2 - (...) o cristão Inácio quando lançado às feras, (...), cada vez que ouvia rugir os leões, dizia: “Sou o trigo de Cristo; vou ser moído com os dentes de feras para que possa ser achado pão puro”. (...)
(IV Perseguição, ano 162 d.C, sob Império de Marco Aurélio).
3 - Alguns dos mártires eram obrigados a passar, com os pés já feridos, sobre espinhos, cravos, conchas afiadas, etc. Outros eram açoitados até que seus tendões e veias ficassem expostos, e, depois de haverem sofrido os mais atrozes tormentos já inventados, eram mortos das maneiras mais terríveis (...).
4 – o humildo cristão Policarpo (...) ao contrário do que se costumava fazer, foi apenas atado, e não cravado. Ao acenderem a fogueira, as chamas rodearam-lhe o corpo (...). Ordenaram então ao carrasco que o traspassasse com uma espada. Com isto, manou tão grande quantidade de sangue (...).
5 - (...) uma família inteira de cristãos-novos foi exterminada. Enero, o mais velho dos irmãos, foi flagelado e prensado com pesos até morrer. Félix e Felipe, os outros dois cristãos que o seguiam em idade, foram descerebrados com garrotes. Silvano, o quarto, foi jogado de um precipício e morreu. Os três mais novos, Alexandro, Vital e Marcial, foram decapitados. A mãe foi morta com a mesma espada que os mataram.
6 - (...) Em outra situação, o senhor Justino foi detido juntamente com seis companheiros (...) foram condenados ao açoite seguido de decapitação.
7 – Em outra situação de tortura, diz que: (...) a este aplicaram pratos de bronze em brasas sobre as partes mais sensíveis do corpo; (...) Bíblias, uma frágil mulher; Attalo de Pérgamo e Potino. (...) penduraram em um lenho a fim de expô-la como alimento às feras. Entretanto, com suas fervorosas orações, ela alentava os companheiros. (...).
Uma das canções/orações que, juntos de mãos dadas os cristãos-novos oravam quando devorados pelos leões e que atualmente (ainda) é interpretado por vários artistas, seja em canto, seja instrumentalmente, é datada do ano de 67 d.C:
“Queremos Deus, homens ingratos / Ao pai supremo, ao redentor, sou o pão da fé / Os insensatos, erguem-se em vão contra o senhor / Da nossa fé, oh virgem, o brado abençoai / Queremos Deus que é o nosso Rei / Queremos Deus que é o nosso Pai” 
"Queremos Deus" (Volumus Deum), de autoria desconhecida.

segunda-feira, 30 de novembro de 2015

EM PROSA DE SERTANEJO SEM VERSO E SEM POESIA, É COVARDIA!

           
                                                                         Arte: Carla Zanetti
           
  E quem se perguntar por que essa gente escolheu esse lugar, há de responder que o lugar foi quem escolheu toda gente pra morar. Por aqui se está e por onde sempre há de beijar!
Um lugar seco e quente, eu já sei disso seu viajante. Desajunte seu acento e vem cá pra perto dagente prosear! Lugar que não chove o suficiente é aqui, onde a vida é intermitente. É disso que não nos alumia inconveniente, mas tira-se de resto um torto repente.
Não é estiagem, o raso sol salgado, adverso lugar que não se mete uma planta, é falta de oportunidade, porque pobre é aqui qualquer forma de esperança. Pode-se por observação se contar dois fardo de permanência ao supra citado.
O primeiro: social, sem lugar abastado, afeiçoam-se a viver no tempo que a terra lhes puser. Do outro o apego ancestral. Terras que não se come, mas se lembra. Terra que não se vence, mas se sente. Já se diz, por entre falas do João Guimarães Rosa, “O sertão está dentro d’agente”.
O sertanejo, moldado nas arestas do semiárido nordestino pelas forças da miscigenação Ameríndia, com a bravura africana e a marcante tradição europeia sebastiânica, formou-se como tal, um povo que desde então, a partir do marcante cultura do gado bovino desbravado pelo Velho Chico mundão adentro, o desconhecido sertão à sua colonização e domínio foi singrado. Longe do ideal “Don Quixote”, mas Cervantes é terra da gente!
Por essas pagas, tangido pela força da necessidade, resplandecido por sonhos soberanos de “reis e donzelas” fortalecidos pela esperança da salvação do Divino Sacramento, o sertanejo foi-se inspiração de seu próprio sentimento, a guiar-se por entre o mundo das incertezas, por entre os sois infinitos dos meios-dias, as intempéries dos silêncios das “noites” a guiar-se das desconhecidas alvoradas secas e neblinadas de esperanças. Cantaria bem mais profunda a doce Raquel cearense que no “O Quinze”, suspirou em registro a seca tão demente!
O sertanejo foi-se engenhoso pelo grito inerte e urgente a adaptar-se em convivência de curto espaço e longa de tempo, do que ao redor de sua vida continuamente é desafiadora torrente.
O sertanejo foi-se um Titã renitente numa batalha infindável e desfavorável às suas estratégias de sobrevivência. Batalha que não se vence; combate que não se rende. Entrincheirando em suas crenças, em seu corpo pálido, seu respiro seco, seu olhar famélico e indulgente. Assume o fardo, não declara desonra, sustenta a fé e suporta o ávido sol no resto de carne que ainda lhes resta ao rosto complacente. Pobre Homero que na “Iliada”, não travou batalha tão sinistra semelhante a que aqui ainda existe na traição de todo o sempre.
Teu mundo dentro de si, não aparenta ser maior que o seu quintal inflado de desassossego, numa paz morta trilhando caminho onde no mesmo dia que é conhecido estreito seguro rente, torna-se misterioso visto na noite de silêncio!
O sertanejo dia a dia, ver-se segue sem rumo, sem lado, sem flanco ou ribanceira, mas o seu feroz “inimigo” teima a espreitar incansável do alto da cumeeira.
A batalha é constante. A guerra se trava em silêncio, sem canhões, sem bandeiras sem toque de recolher! O olhar frígido comumente é a única baioneta que se serve ríspido a vertical ou horizonte.
E a dor que se sente, suspiro de uma quase gente, o inimigo lhes suga a testa, lhes queima a mente, lhes treme quente em momento que nem chuva não se pensa.
O tempo parou: ele lá e cá aqui o sertão numa peça de gente. Confia na raiz que imagina e sustenta em medo pela força, mesmo sem garapa de cana, num rosto atirado pra cima não vacila e não se atreve a se perder de vista.
O sertanejo, foi-se de sabedoria e engenhosidade genuína, estas minadas e espremidas da alvoroça extremidade inventiva lida que a necessidade alugada em praga e reza o obriga.
O sertanejo nasceu inato imune ao próprio temor, seguro de suas experimentações ao longo de sua vida vivida.
O sertanejo é sábio por seu acurado instinto mítico. Por superstições, em típica originalidade helênica, mas de um só Deus pra toda vida!
O sertanejo é o engenhoso funcionamento da vida desassossegada. Sinais de chuva, ouvidos que ressoa fases da lua; mudanças, limites, farturas, projeções... Onde com a escassez se brinca, mas com as “leis” conservar-se e se finda. Não ler enciclopédia para aprender para a vida!
O sertanejo corteja a arte da esperança com a fé manifesta ritmada na acolhida alegria junina.
Sertanejo manifesta-se em poesia, palavras, formas e em fala pitoresca de frutíferas gerações que já se tem quem cante em filosofia, eis lá o “poeta do absurdo”. No artesanato que rumina e envereda pelo carrasco, em montaria da segurança em barro do dia e que amanhece fria. E sempre tem porta batendo de esperança nas adversidades, choram-se ou tiram-se de ruínas amigas tapeçarias.
Do pífano, da zabumba e da rabeca... o mistério se esconde, sem rosto, sem nome, sem depoimento e sem cortesia. A aridez tira o brilho do sorriso, a terra que reside riqueza e lamento, o cordel do sertanejo foi dado no dom de ensinamento.
Sertanejo sutil fez do sertão o seu cantil, pelo grito verniz cinzento pinta o cenário do céu com fitas de pindobas sem polimento. A alegria simples de todo dia, importa mais que alforria!
Sertanejo que faz brotar vida onde não se imagina. Para quem não se dar a compreender, lá pela velha Canudos de imponência, Euclides da Cunha hei de dizer: “Não há manhãs que se comparem as de canudos: nem as manhãs sul mineiras, nem as manhãs douradas do planalto central de São Paulo”.
E na lembrança da “vingatice” do Virgulino cruzada na benção do Padin Ciço, homem ligeiro, o sertão seco ou brejeiro, mais que justiceiro de ontem hoje é forte pelo acolhimento herdeiro, desde nos arautos do Conselheiro, José Lins, Patativas e Suassunas ao rico povo obreiro, sombreado nas caatingas dos juazeiros faz-se hoje para sempre perfeito o bem-vindo com um forte aperto para todo amigo brasileiro, seja ele, devoto ou não, da esperada e eterna salvação pelo tão ilustre Rei Sebastião!


quarta-feira, 25 de novembro de 2015

INSEGURANÇA ALIMENTAR E SUAS CONTROVÉRSIAS

O século XXI está marcado pelo crescente aumento da população mundial demandando naturalmente mais alimentos. Entretanto isso fez insurgir nas últimas décadas um emaranhado de informações acerca de uma possível insegurança alimentar provocando amplo alvoroço de preocupações como se a fome atual nada significasse. Ou seja, de certa forma uma informação atrasada, já que a falta de comida, desde muito tempo faz parte da vida de muitos em países africanos, asiáticos e latino-americanos. Como em alguns lugares no Brasil, por exemplo, ainda que alguns esforços tenham diminuído.
Nos zum-zum-zuns das especulações, uns alardeiam que crise só acontece quando os padrões de consumo mais opulentos dos países nórdicos são “incomodados” por crises econômicas. Outros asseguram que se deve às organizações internacionais respaldando outros interesses. Alguns de que se deve ao explosivo crescimento demográfico. Não sei, mas por certo, nessa nova ordem mundial, não se pode duvidar de nada. Porém, antes que se tente apurar verdadeiramente os fatos, as causas, os porquês e auês, alguns oportunistas de plantão se utilizam de situais como tais para favorecer seu campo de interesse. Por exemplo, o mercado madeireiro ilegal, o qual diante de uma “tensão alimentar” como essa, montam, imediatamente, planos estratégicos e minuciosos em tentar convencer a opinião publica de que há vantagens no aniquilamento de ambientes naturais, justificando-se pelo fato de que se vão produzir alimentos. Falatórios como esses foram e são ainda disseminados pelo Brasil afora a favorecer o aumento das fronteiras agrícolas em detrimento de ambientais naturais, desprovidos de qualquer tipo de estudos de impactos ambientais, inclusive.
Nisso, eu aqui com meus botões fico analisando o quanto dessa questão alimentar tem gerado discursos dos mais mascarados, tendenciosos e enganosos, produzindo intencional e irresponsavelmente contradições nos dois lados da moeda: agropecuaristas que a todo custo querem aumentar suas fronteiras agrícolas e os ambientalistas que a todo custo são contra o agronegócio. Ou seja, ambos no calor de seus interesses irrestritos acabam por se perder em discursos vaidosos, cartesianos e teóricos, tão somente. Por vezes perdendo o foco (de forma irracional até) naquilo que se pretende enquanto defensor de uma causa ou outra. A humanidade precisa tanto de alimentos quanto dos serviços ambientais e em níveis de igualdade. Isso é fato! Para isso é necessário compreender o funcionamento do planeta através de uma visão holística, eu diria, de que o todo é maior que a simples soma de suas partes. E nisso é que a humanidade se beneficia. Enquanto isso, as vigentes contradições quanto à insegurança alimentar são corriqueiras, abrindo precedentes para todo tipo de colocação.
Pois bem, vamos às contradições: segundo estudos da FAO (Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura) feito em 2012¹, aproximadamente 40% do que se produz de alimento no mundo (portanto quase a metade) é desperdiçada. Jogado no lixo! Vale dizer que os maiores índices de desperdícios e má distribuição de alimentos são promovidos, principalmente, dentro dos próprios países subdesenvolvidos, contrariando aqueles que dizem que a fome na áfrica é pelo consumo exagerado dos EUA, como se costuma dizer. O problema da África, da Ásia ou do Brasil está, principalmente, dentro de cada país, seja no desperdício, problemas climáticos, políticos ou corrupção. Mas aí pergunto, será que existe crise de alimentos de fato? Será que para alimentar a população mundial vindoura e, antes disso, matar a fome dos milhões dos que já existem é preciso derrubar mais florestas? Em minha ingênua opinião, se o interesse fosse realmente alimentar a humanidade, já o era possível só com o que se tem atualmente, desde já, controlando os aberrantes desperdícios. Digo opinião ingênua porque, infelizmente, a preocupação por essa crescente produção é estimulada por outros interesses. Que o digam os fortes mercados mundiais de especulações financeiras. Ou seja, não interessa se o que produzir, em termos de comida, vai para a boca de alguém ou para o lixo. Não interessa se o dano ambiental é preocupante ou não. Importa é que a produção tenha bons câmbios e mercados. Essa é a lógica, oh, cara pálida!  
No Brasil ficou explícito quando tentaram esquartejar o Código Florestal. A ampliação das fronteiras agrícolas estava acima de qualquer defesa dos espaços naturais preservados os quais nos são vitais pelos serviços ambientais. Porém o que vem ao caso é que no Brasil não se necessita de mais derrubadas de florestas para implantação de pastos ou culturas agrícolas. Em extensão, o Brasil é um dos países (senão o maior!) em fronteiras agrícolas, com destaque para o clima e solos favoráveis. O problema está em baixa produtividade.
Ainda segundo a FAO, em seu anuário de produção (Production yearbook)², a produtividade média em milhões de toneladas ha/ano de trigo e milho, tratando-se de commodities, no Brasil tem sido 62,5% e 75%, respectivamente, menores que nos EUA. Diga-se de passagem, nos EUA existem extensas áreas improdutivas como desertos e pântanos, além de períodos do ano com baixas temperaturas desfavoráveis ao cultivo. Diferentemente do Brasil onde o jargão “tudo que se planta, dá”, seria bem mais verdadeiro se empregassem tecnologias. Isso mesmo, o diferencial é que nos EUA se investe maciçamente em pesquisa e tecnologia em busca de produtividade cada vez maior.
A insegurança alimentar tem sido uma bandeira muito utilizada por discursos ideológicos, reverberando para o mundo inteiro que se trata de acontecimento apocalíptico incontornável, produzido por países capitalistas. O que não passa de um argumento desprovido de qualquer lógica, já que é o próprio capitalismo que tem mais produzido alimento no mundo, além de estimular e financiar diversas tecnologias. Sem falar de que há, por interesses mesquinhos de setores produtivos, especulações e ideologizações segmentando as sociedade no mundo, com políticas e sistemas de governo falhos. Ou seja, a insegurança alimentar tem sido mais intensificada por sistema de subsídios e políticas protecionistas que promovem o desaceleramento da produção mundial; por embargos e questões de conflitos políticos ideológicos; por insignificantes investimentos em infraestruturas o que, além de produzir pouco, produz com custo alto; tecnologias arcaicas e insuficientes ou fundamentalismos ideológico-político-religiosos que não permitem meios tecnológicos em seus domínios; disseminações (ainda) de teorias ultrapassadas como a malthusiana e a reformista (marxista), que inseridas nas políticas econômicas, acabam por não estimular desenvolvimento do setor agropecuário... Enfim, tudo isso converge, consequentemente, na resultante de gente cada vez mais mal alimentada e vítima de inanição por todo o mundo, vistos, principalmente, por governos corruptos, totalitários e intolerantes. Por sua vez, é preciso entender que as florestas devem ser preservadas e não se tornarem 'vítimas' de teorias psicopatas e ambições nefastas. Onde, de uma vez por todas, saibamos que a falta de alimento no mundo não se resolve com o desespero e o precipitado argumento de que se deve destruir mais e mais espaços naturais.


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¹Fonte: Desperdício mundial, 2012. <https://www.fao.org.br
²Fonte: FAO (Production yearbook/2010), 2012. < http://www.fao.org/docrep/015/i2490e/i2490e03b.pdf>



quinta-feira, 12 de novembro de 2015

ARTE CONTEMPORÂNEA, SINÔNIMO DE NADA COM COISA ALGUMA

Levando a rigor e sem precedentes o pensamento niilista de "a realidade é o que eu imagino”, muito do que se diz de arte hoje em dia é fruto inequívoco dessa falseta idealizadora de escape oportunista para “obras de arte” do tipo no-sense, a que chamam de arte contemporânea.
O psicopata e sanguinário Adolf Hitler, ainda quando cidadão comum austríaco, foi rejeitado pelas escolas de artes plásticas por não considerarem seus traços como ideais. Embora não tenha inventado algum alvitre conceitual ‘modernizante’ para que pudesse encaixar seus traços no cenário artístico da época, coisa que os sem talentos fizeram a arte contemporânea atual, Hitler fez pior após sua constrangedora desilusão artísticas, monopolizou a arte sob o terror nazista. O fato é que atualmente muitos não aceitam a realidade de que não tem um mínimo de talento para as artes e, motivados por pura vaidade cega e galopante, querem empurrar goela abaixo qualquer coisa como sendo obras de arte. 
Ainda que algum “artista contemporâneo” tente usar como predecessores para a sua arte contemporânea o dadaísmo, escola artística alemã do início do século XX ou o surrealismo, surgido na França também do mesmo século (as quais eram “contrário aos padrões da arte estabelecida”), não se justifica. Pois desvinculado de regras e normas para a construção das obras, essas escolas tiveram uma razão de ser. Peguemos, por exemplo, a obra surrealista o “Relógio” de Salvador Dali e vamos observar que a imagem do relógio derretido impressiona imediato e naturalmente o espectador. Ou seja, mesmo para "fugir" ao realismo, a forma do objeto relógio foi mantida. E nem é preciso falar dos traços perfeitos ou da perfeita combinação de cores que o Dali se utilizou para compor a obra. E o que se ver e se viu nas últimas décadas em eventos ou galerias de exposição, principalmente esculturas e pinturas, é mais uma bagunça visual do que arte propriamente dita. Não há definição do que se está mostrando: faz-se qualquer coisa e enche de teorias. Onde já querendo convencer pelo discurso, esquecem a própria "obra" lá jogada sem forma, sem sentido, sem fim.
Chamam qualquer coisa de arte: jogam-se tintas de diferentes cores numa tela, inventam qualquer tema, dão um nome e pronto, é uma obra de arte! Rabiscam quaisquer formas e traços, marcam pontos, fazem círculos e pronto: eis mais uma tela! Tratando-se de “esculturas”, a bagunça é ainda mais bizarra. É de espantar a coragem que têm de expor algo do tipo como um sapato-velho-sobre-uma-caixa-de-tomate-junto-a-um-pneu-qualquer-pendurando-um-guarda-chuva-quebrado-com-um-fio-de-náilon-ao-lado-de-um-resto-de-bicicleta: atentai-vos bem, isso é uma escultura da arte contemporânea! Até o ‘monstro’ Frankenstein (inspirado no romance gótico de Mary Shelley) tinha forma e sentido. Ou seja, nem chamar isso de “obra-de-arte-Frankenstein” é possível.
 Vale salientar que são exposições, montagens, produções e turnês, muitas delas, financiadas com verba estatal através da Lei Rouanet por meio do Ministério da Cultura. Um escandaloso desperdício!
 Como se não bastasse, querem que as pessoas aceitem isso sem um mínimo de constrangimento, crítica ou vergonha alheia. Pois para esses Cult da arte contemporânea (sic), é ser um leigo, um ignorante das artes ou um ser insensível quem não admira tais “obras”. E por aí vemos muita gente olhando e balançando a cabeça diante dessas “obras de arte contemporânea”. E a pressão é tão grande que esses "admiradores" ficam acoados sem poder expor sua reprovação daquilo que não lhes causou impressão alguma, pois seria julgado como um estranho se falasse algo contrário ao que querem estabelecer, uma vez que o ambiente já está completamente dominado pelo apelo-teórico-ultrajante a quem for alheio. Onde a única saída do espectador constrangido seria elogiar por força da conveniência para livrar-se logo daquela visão horrenda.
o pior de tudo isso, nesse joguete do faço-de-conta-que-sou-artista e do faço-de-conta-que-gostei, é que se vai cultuando uma atmosfera instintiva de valorizar o feio, o desprezível, o horrendo e desprezar as verdadeiras belezas artísticas, colocando essas em segundo ou último plano. Não é nada difícil de entender que simplesmente esses artistas contemporâneos no-sense são meros oportunistas sem talento. Reconhecer e afirmar isso é ser honesto e verdadeiro, principalmente, consigo mesmo. É não aceitar o imaginário trapaceiro acima da realidade. A intitulação dessas coisas de arte contemporânea é uma tentativa de saída para aquilo que não é cabível em lugar algum. Uma boa desculpa esfarrapada!
 Mas aqui eu me pergunto: se eu gasto a palavra ARTE com essas coisas, com qual palavra devo me referir portanto as obras de um Delacroix, de um Moneti, Van Gogh, Renoir ou de um Portinari?  Nas esculturas, o que falar da “Vênus de Milo”, de Antioquia e outras tantas belíssimas esculturas gregas, os conhecidos “bustos gregos”. Ou a bela “Pietá” de Michelangelo. Será que precisamos nos estender para outras veredas artísticas, como música, teatro, literatura...?
Não se trata de rejeitar a arte pós-clássica. Existem sim, obras de arte moderna que verdadeiramente impressionam. Embora não passe de 5%, mas existem! Portanto o fato é óbvio: trata-se aqui das empulhações que querem ser chamadas de arte, por simples vaidade ou estratégia de sobrevivência. Onde muitos sem uma grama de talento, comportam-se semelhante o personagem Hilary do romance “O Oportunista” de Paul Read, em adquirir umas telas, misturar algumas tintas quaisquer, expor e, para a sua própria surpresa, conseguir vendê-las!
Óbvio que arte não é uma ação criativa com conceituação única e engessada. Pois como fruto de imaginação, grosso modo, arte ‘existe’ para 'interpretar' emoções e paisagens. Assim é a liberdade artística de ser como tal. Por outro lado, arte tem em sentido primário a irrefutável função de agradar os sentidos. Portanto, não se pode chamar qualquer coisa de arte, simplesmente porque querem que a chamem. A arquitetura moderna (contemporânea) se baseia no geral, por exemplo, numa “estética-caixa-de-sapato”. Isso já desde meados do século XX. Ou seja, foi-se o tempo de realmente “arquitetar” uma fachada de forma minuciosamente detalhada e artisticamente bela. Com algumas raríssimas exceções!
Enfim, agradar os sentidos requer uma combinação natural de fatores estético-sensoriais. É aquilo que os órgãos dos sentidos, a priori, 'aceitam' involuntariamente sem apelo teórico. E qualquer ação que fuja a essa naturalidade, não está em ordem cognitiva com os sentidos. Há um desarranjo psíquico como em sentir prazer com a dor ou satisfação pelo sabor podre. Ou uma intencional negação da realidade natural das coisas guiada por outros interesses. Eis a arte contemporânea no-sense, livre do Hitler psicopata (felizmente), mas monopolizado ainda por discursos (infelizmente)!


quinta-feira, 5 de novembro de 2015

NÃO PROCURE ENTENDER MINHA CABEÇA, ENTENDA A SUA.

Amanhã... quem seremos nós? Que serei eu? Que será você? Que mais nos importará nessa vida com os pés na lama? Ou será que há algum chão a ser pisado e eu que não estou atento? Digam-me se pisar nas nuvens é verossímil?! Não, acho que não. Não existe perfeição! Sonhos não podem passar de uma noite, no dia seguinte outro ocupará o seu lugar.
A vida é uma armadilha engatilhada desde cedo. Um risco para o próximo, no mínimo! Uma repetição de absurdos e imitações. Absurdos que vemos e somos. Não existem novidades. Mágicas não existem e personalidade é um truque. Mas tudo bem, a vida é um mundo patente e cada um a estraga como quiser.
Bem aventurados, olhem bem: consciência "limpa" nesse mundo não existe! Ao menos para aqueles que nunca a usaram. Viver honrado tornou-se um martírio e de forma decente é ofender os comuns. Não lamentar e salvar a si mesmo, é mais econômico do que se perder esquecido e ultrajado na ilusão de que vai consertar o mundo!  
E não me façam rir, pois não existe fugir da realidade. Todos os que de uma forma ou de outra tentaram essa "façanha" é que mais se atolaram nela.
Acredite em computador, internet sim, mas saiba que você terá que ir sempre a padaria comprar pão. E onde quer que esteja, estará sozinho. E para sua sorte, um pé no rio outro à margem.
Foi o próprio homem quem construiu o mundo e nele mesmo vive como cobaia a todo o momento. É esse mundo que está a nossa volta: “o paraíso das mulheres, o purgatório dos homens e o inferno dos seus filhos”, já dizia o poeta.
O que fazer tirar Jesus da Cruz? Não há solução quando a causa já é o fim ou quando os meios já não mais justificam esse mesmo fim. Alguns admitem que há beleza na miséria, outros fazem da esperança uma indústria! E para uma ideologia utópica, delinquente e oportunista os ricos devem ser condenados por gozarem a vida. E tentam enganar que esfarrapados desvalidos sofrem por culpa do sorriso alheio!
Realmente só a filosofia alemã conseguiu explicar que a "dor é a grande saúde!" Por isso digo que chega de verdades, pois diante dessas, a loucura dos poetas me interessa mais!
Atentai-vos bem: nesse mundo, apodreceremos todos juntos, pagãos e cristão, desde já respirando o ar viciado das gerações passadas com suas estórias todas estropiadas e equivocadas. E também não é novidade que as próximas gerações pagarão o preço de ‘inteligências’ egoístas, orgulhosas e doentias. 
Essa de viver a eterna juventude são apenas falácias de quem acumulou merda na cabeça. Nega-se assumir seu próprio tempo, sua idade e seus fracassos? Então crescer não significa necessariamente evolução. No mais, progresso é a descoberta de quando se consegue repetir a dose da vida mais uma vez ainda aqui. Mas o que dizer do cão que sempre volta ao seu vômito? 
O mundo nunca será perfeito! Mas falam que sim porque querem te domar e depois te atropelar. Cuidado: não se enganem com carinhas felizes, moralismos exacerbados e argumentos normativos, eles não explicaram como foi escrita a humanidade. Orientar-se pelas precedentes entrelinhas das  "Ilusões Perdidas" de Balzac? Pois bem, de antemão saibamos que a vida é uma escolha e por ela não cabe arrependimentos, vitimismos ou culpas alheias. 
Mas não precisamos voltar à década de 1960 para vermos poetas utopicamente alienados fumando muita maconha e sonhando num mundo impossível de paz e amor. Assim como faziam os jovens da classe média da época que brincavam de hippies metidos a rebeldes nas tardes de domingo. A única diferença é que nos dias de hoje não existem sonhos e nem poetas. O que temos: uma liberdade sexual avacalhada; uma liberdade dos costumes ‘esquematizadas’ pela grande mídia e o autoflagelo do não-consumismo recheada em literaturas tendenciosamente mal explicadas.
Vivemos uma piada paradoxal sem graça! Mas o mundo é contraditório e tinha que ser. O futuro está cheio de gente querendo imitar os outros. E acreditando ainda em futuro, permanecem atoladas nas castidades do presente. Tudo ao ‘futuro’ e ao presente nada. Nada mais que um proposital entorpecente ideológico, pois esse ‘futuro’ sabe de cor o que poderemos ser. E é isso o que não se ousa dizer. Você vive o presente? Menos mal, pois viva e conserve o que há de melhor!
Pois quanto aos loucos: são os que estão em hospitais maquiavélicos ou os que acreditam nas promessas de um mundo melhor? E o amanhã, é outro dia? Tenho minhas dúvidas!

terça-feira, 27 de outubro de 2015

PAPEL SIM, ÁRVORES SEMPRE.

    

Após ter visto a colocação de que “mais computadores em salas de aulas, significa menos papel e, portanto mais árvores”, confesso que fiquei pasmo diante tamanha desinformação e me vi obrigado a advogar a favor do papel e claro, das árvores.
É possível de antemão entender que tal colocação tenha sido motivada, de forma um tanto quanto precipitada, pelo fato de achar que reduzindo papel, conservará florestas. Ideias daqueles que são levados pelo calor da situação, por uma verve ecológica radical e aí acabam por desinformar aquilo que poderia ser facilmente compreendido. É compreensível a intenção de querer conservar as florestas, mas ainda assim não é justificável condenar o pobre papel. Não há fundamento.
Por outro lado, a colocação pode até soar como simplesmente um anúncio evasivo e torpe do setor de informática a galgar mais mercados!
Pois bem, não sei de quem foi a autoria, intenção ou quem financiou tal campanha. O que não vem ao caso. Porém, percebe-se uma grande desinformação dessa propaganda, por inúmeras razões, contrariando a ideia do papel em salas de aula.
Em favor das árvores, a começar, a propaganda deveria ser: “mais papel em sala de aula, significa portanto mais árvores e, portanto mais sequestro de gás carbônico, mais biocombustível (metanol, por exemplo), mais ar limpo, mais umidade no ar, mais áreas sombreadas, mais parques naturais, mais regularização de microclimas locais...”
Quero dizer com isso que se enganam quem pensa que a produção, o consumo e, portanto o uso do computador em salas de aula, substituindo o papel, estaria contribuindo na proteção as árvores. Não mesmo! A depender do ponto de vista, o computador é mais um vilão do que mocinho. Pois o computador, ainda que sendo um instrumento de grande serventia aos dias atuais, jamais assumirá a posição de destaque como contribuidor para se ter um meio ambiente limpo e protegido. Produzir computadores e afins, significa nada mais, nada menos do que uma queima de combustível fóssil; emissão de dióxido de enxofre, dióxido de carbono; exploração de silício, prata, ferro, ouro, cobre, tungstênio (e mais umas dezenas de outros minerais!). Além do consumo de energia e de água, por exemplo para sua fabricação. É simplesmente um consumo fulminante de recursos naturais não renováveis. E não pára por aí. Hoje é um grande problema encontrar meios seguros para o rejeite dos ditos 'lixos eletrônicos' que são esses computadores e similares descartados, resultando-se em volumes assustadores de lixo em locais inapropriados. E como a cada ano surge novos modelo, os “antigos” sempre serão descartados, ou seja, o volume de lixo é sempre crescente. E, diga-se de passagem, é um lixo altamente tóxico por possuírem metais pesados em alguma de suas peças, poluindo o solo e a água, quando não são descartados de forma segura.
Não quero aqui tirar o mérito e a importância do computador. Longe disso! É inadmissível imaginar um mundo sem ele. E claro, deve sempre auxiliar à educação das crianças. Mas falar que deve substituir papel por computadores em salas de aula com um argumento pífio de que é em favor de proteger as árvores, é de uma total ignorância sem nome. É desconhecer o assunto e desinformar a sociedade. No mínimo, uma falta de bom senso.
Logicamente que consumir papel requer árvores e consumo de água e, ao contrário de acabar com as árvores, a produção de papel requer mais e mais plantio de árvores. Quanto ao consumo de água, trata-se simplesmente de um custo-benefício a atender uma demanda da geração de produtos o que é comum em qualquer atividade agroindustrial. E diferentemente, estamos falando de matéria prima renovável. Só pra se ter uma ideia, das árvores se pode explorar matéria prima para mais de 5.000 utilidades! No caso em questão, o papel advém do processamento da pasta de celulose. Coisa que as indústrias e empresas que exploram a silvicultura de eucalipto faz muito bem, obrigado! Sem contar com a responsabilidade que as industrias de celulose tem com o meio ambiente, onde para entrar no mercado, precisa-se de certificação assumindo rigorosos protocolos. E como o papel deve sempre ser originado de árvores de reflorestamentos, isso engloba uma série de critérios ecológicos, inclusive.
Por outro lado, é leviano quem alardeia que árvores de eucalipto seca o lençol freático, empobrece o solo ou coisa do tipo. O sistema radicular do eucalipto não é profundo ou, como exageram alguns, tem o mesmo comprimento da árvore. Não mesmo, pois a raiz pivotante não chega nem a um terço da árvore. E em seus solos cultivados há uma diversidade de micro e macro organismos. Além de que o seu consumo de água é absurdamente menor comparado com espécies vegetais nativas do Bioma Caatinga, por exemplo. Além de inúmeros benefícios ambientais e sociais que são gerados por essa atividade. Diga-se de passagem, é a única atividade do ramo agropecuário que tem por obrigação manter áreas de florestas nativas no entorno. Para isso, existe uma vasta literatura sobre o tema!  
E como toda monocultura, o eucalipto não é diferente. Pois enganam-se quem espera que num plantio de eucalipto deve possuir biodiversidade por se tratar de uma "floresta plantada". Não mesmo, pois essa floresta se trata de um monocultivo. Da mesma forma que não há biodiversidade em plantio de soja ou cajucultura, por exemplo.
Desse modo, talvez a distorção seja associar papel com madeira nativa. Ou seja, não se deve confundir produção de papel com esses atos criminosos de desmatamentos indiscriminados derrubando árvores nativas a todo custo sem manejo florestal sustentável.  Ou seja, o desmatamento ilegal, nesse caso, é outra história. Mas claro que por ser um crime ambiental, quem assim proceder, deve ser punido de a acordo com a legislação vigente. Entretanto, não se pode confundir derrubadas criminosas de árvores nativas com produção de papel. Não há nenhuma relação. Até porque não se produz papel utilizando árvore nativas. Embora algumas possuam madeira de baixa densidade, uma das características favoráveis à produção, não se conhece ainda empresas que utilizem espécies nativas para esse fim. E mesmo que fossem utilizadas, seriam com base em planos de manejo florestal de rendimento sustentado.
Enfim, produzir papel não ameaça a sustentabilidade do planeta, nem as árvores. No Brasil, por exemplo, o consumo de papel por brasileiro é de 44 kg por ano e isso quer dizer que cada um de nós consome em média meia árvore por ano. Os finlandeses, maiores consumidores de papel no mundo, consomem 341 Kg, ou seja, aproximadamente 4 árvores por ano. Ainda assim irrisório. Isso considerando que são necessários 11 árvores para produzir uma tonelada de papel. Só um eucalipto rende de 20 a 24 mil folhas de papel A4 (75 g/m2 de gramatura).
Portanto, propagandas de que papel não deve ser consumido em favor das árvores, vale salientar que somente estimula o cidadão para um comodismo frente às questões ambientais, promove a desinformação sobre a atividade silvicultural e confunde a sociedade a respeito da importância das árvores e sua relação com papel. Portanto, reafirmo, foi e é uma colocação irresponsável! Pois é mais do que justificável de que árvores devam ser plantadas, independentemente se é para produzir papel ou não. Por outro lado, somemos os inúmeros serviços ambientais que elas executam em favor da manutenção da vida na Terra e veremos o quanto de sua importância.
E papel deve ser utilizado nas escolas sim, sempre e de forma irrestrita. Acredito que quem não defende a ideia de produzir e utilizar papel nas escolas é dotado de ignorância crônica, tem outros interesses ou, infelizmente, é alguém que não teve infância! Papel pode ser produzido infinitivamente, pois não polui o ambiente, é biodegradável e pode ser reutilizado/reciclado, se for o caso.
Retirar papel das escolas e trocar por computador é querer impedir o exercício da liberdade criativa das crianças. É querer afastar a criança do estado natural das coisas. É ceifar das crianças momentos únicos de felicidade em rabiscar papel, de pintar, de imaginar, de escrever, de desenhar.... Sem dúvida é algo mais do que desejado por qualquer criança. Além de ser uma oportunidade à prática do raciocínio e claro, de um entretenimento saudável, de forma educativa e sustentavelmente ecológica!