sábado, 24 de outubro de 2015

QUANTO MAIS SE GRITA, MENOS SE OUVE.

  
Atualmente a conservação e a preservação ambiental têm sido os assuntos mais difundidos pelos variados setores da sociedade. E mesmo assim, sem nenhuma intimidação, o desmatamento ilegal, a poluição atmosférica, a contaminação de rios, os lixões e a matança de animais silvestres tem sido constantes. Há quem tente abafar a gravidade do caso, mostrando alguns números de redução disso ou daquilo. Sem sucesso, pois os danos são visivelmente gritantes e preocupantes. O mais impressionante ainda é que mesmo com tantas informações, muitos não se deram conta dessa gravidade. Ou seja, não há sequer um estado de pânico ou temor da sociedade, vivendo quase que na filosofia da vaca, “cagando e andando” para o problema!
Adotar medidas a conter os níveis de emissão dos gases provocadores do aumento do efeito estufa, por exemplo, é uma alternativa já comprovada por muitos pesquisadores e cientistas da área, como forma de reduzir/diminuir as famigeradas consequências das mudanças climáticas, embora muito dessas mudanças ainda não tenham sido comprovadas de forma categórica. O que não é nenhuma justificativa deixar de limpar, conservar ou proteger o que ainda resta da natureza.
Mas não há uma preocupação prática sequer por parte da sociedade, dos governos, dos investidores, das indústrias... Existem alguns passos (justiça seja feita!), mas tímidos diante da gravidade. Outra conduta, um tanto quanto hilária, nessa seara de pouco caso, é observado em tempos de calor quando nas cidades muitos procuram por árvores a salvaguardar seus carros da insolação. (Sorte quando encontram!). Do contrário, liberum sectionem.
A partir de 1970, com a percepção da gravidade ambiental, uns fulanos já preocupados, mobilizaram-se em busca de mudanças globais para uma convivência mais responsável com o meio. Pelo menos foi essa a intenção entre os vários debates em conferências internacionais, culminando o termo sustentabilidade como ação “estratégica” de explorar os recursos naturais a satisfazer as necessidades presentes da humanidade sem esgotar os mesmos recursos, tornando-os disponíveis às gerações futuras. Além do destino correto dos resíduos, seja doméstico, industrial... Ou seja, tornar um mundo (possível) de melhor ser habitado. Pois bem, a ideia foi lançada, mas na prática está tudo invertido. O grande problema é que nessa corrida megalomaníaca por conforto exacerbado em detrimento do meio ambiente, ninguém quer largar seu “osso” mesmo ouvindo falar de todos os blás, blás, blás da vida!
E muito comum é falar em desenvolvimento sustentável. Muitos falam, mas quantos praticam ou entendem o que vem a ser esse termo tão degustado atualmente? Diga-se de passagem, é palavra-chave do vocabulário de qualquer política pública ou na tomada de decisão de algumas iniciativas privadas com relação à exploração dos recursos naturais; mas no fundo, na grande maioria é usada somente como pano de fundo sem assumir nenhuma posição de destaque. Portanto se a pessoa continua jogando papel de bala em via pública e a multinacional jogando óleo nos oceanos, quantos estão se importando? No geral só tentam "jogar tudo debaixo do tapete".
Já dispomos de informações suficientes de que a sustentabilidade nos recursos naturais e o contínuo equilíbrio dos serviços ambientais é fator preponderante à manutenção da biodiversidade e condições estas favoráveis à vida da espécie humana. Também sei que não adianta ficar aos berros gritando aos quatro cantos do mundo, como um "siri na lata", com muito barulho para nada. Contudo, continuo vivendo a vã filosofia do beija-flor tentando apagar o “incêndio”. Sei que não vou consegui, mas no mínimo terei minha consciência menos pesada.
Mas é que até a minha pobre ignorância fica perplexa ao conseguir compreender como algumas sociedades (de todas as esferas) se engalfinham por interesses mesquinhos em detrimento de relevantes assuntos que dizem respeito diretamente à própria existência, como a conservação de mananciais, por exemplo. E mesmo com todo meu otimismo, percebo que essa seja uma pauta ainda timidamente simpatizada pela sociedade “moderna”(?) a qual deve ter assuntos muito mais “sérios” a ocupar seus preciosos tempos

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